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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A princesa e o dragão.


Num reino muito distante, uma princesinha morava no alto da torre de um castelo. Quando olhava pela pequena janela, tudo o que via era uma bela paisagem e um dragão. Bicho esse que era grande e muito feroz. Cuspia fogo em sua direção quando estava com raiva, quando a princesinha chorava na janela ou quando ela achava que tinha conseguido força suficiente para derrotá-lo.

Essa princesinha era linda, diferente das princesinhas dos outros contos. Morena, cabelos cacheados, olhos negros e usava óculos. Seu sorriso era composto de dentes enormes, tinha um brilho ofuscante no olhar e quando dançava, o mundo girava ao seu redor. Tinha se tornado ainda mais bonita desde que o dragão a aprisionara, tinha emagrecido e passado a se cuidar mais. Princesas sempre são lindas apesar da tristeza que carregam com elas...

O dragão tinha lhe posto um feitiço, ela podia sair da torre e do castelo, mas o dragão lhe acompanharia. Ele era traiçoeiro, as vezes fingia ter desaparecido para que a princesa se sentisse livre, mas no primeiro deslize da mocinha ele voltava a cuspir fogo, esbravejar e machucava a coitada tomado pela raiva. O dragão não era bobo e a princesinha, de forte, só tinha a vontade de ser feliz.

Vários príncipes, caçadores e camponeses tentavam matar o terrível dragão, mas a cada tentativa ele ganhava mais força, mais alto ficava seu rugido e mais quentes as suas chamas. Por mais que fizessem, o dragão simplesmente não morria e nem parava de ganhar forças. A bela princesa sabia que só duas pessoas podiam domar aquele monstro terrível, e uma delas, era ela mesma. A outra pessoa capaz de tal feito era um príncipe de um reino não muito distante, mas que carregava consigo uma grande mágoa da princesinha. Ela já havia feito de tudo, tanto para tentar acabar com o dragão, quanto para que o príncipe a perdoasse. Ela sabia que ele também era falho e o desculpava por isso, ela o perdoava sempre, por que sabia que ninguém no mundo era perfeito.

E se um dia você encontrar com essa princesinha, vai saber o motivo de tanta força, tanta vontade e tanto amor. Você vai entender porque esse conto não tem fim. Vai entender que não é julgando ou criticando que a gente faz com que alguém se acerte, mas amando e mostrando novos caminhos. Ah! E sobre o dragão, o nome dele era saudade...

"Eu tentei mas não deu pra ficar
Sem você enjoei de esperar
Me cansei de querer encontrar
Um amor pra assumir seu lugar

É muito pouco,
Venha alegrar o meu mundo que anda vazio, vazio
Me deixa louca
É só beijar tua boca que eu me arrepio,
Arrepio, arrepio

E o pior
É que você não sabe que eu
Sempre te amei
Pra falar a verdade eu também
Nem sei
Quantas vezes eu sonhei juntar
Teu corpo, meu corpo
Num corpo só"
Maria Rita - Num corpo só

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

panela de pressão


Depois do susto, as mãos trêmulas, frias. O corpo lento, a mente frenética. Pensamentos entrando e saindo da cabeça no mesmo ritmo em que seu coração batia: rápida e desordenadamente. As vontades eram muitas. Correr, gritar, rir, chorar, morrer, sumir. Era sempre assim. Sempre foi assim desde que as coisas tinham dado errado.

Ela tinha adquirido muitos medos desde então. Agora tinha medo de dormir, medo de sair, medo de dirigir, medo de ficar em casa, medo de ficar sozinha, até do escuro, seu grande companheiro, ela tinha medo. Tinha medo de não ser mais feliz, se sentia vazia e ao mesmo tempo, tão cheia. Cheia de estar presa ao passado, cheia de saudade, cheia das lembranças de um amor que já não era mais retribuído, cheia de se sentir vazia.

Sentia que enganava o mundo com sua pose de menina feliz e mulher dura, só não conseguia enganar a si mesma. E a noite, em seu quarto com a companhia dos seus medos, ela abria espaço pra tristeza e pra saudade, permitia que as lágrimas rolassem, deixava o corpo respirar longe da fantasia tão quente. Ninguém queria vê-la chorar e por isso ela continuava a usar a armadura.

Durante a noite ela se permitia sentir a presença daquele que ela tanto esperava. Era capaz de jurar sentir seu abraço, sentir o cheiro e ouvir aquela voz. Era durante a noite que ela se encontrava com ele, mesmo que em sonhos ou pesadelos. À noite, ela era ela mesma, ela e seus fantasmas, ela e seus medos, ela e suas dores, ela e seus anseios.

Assim ela permanece até hoje. Durante a noite, vai ao encontro daquele que ama em seus sonhos, pra poder ter vontade de acordar no dia seguinte. Nesses encontros, mesmo que sendo apenas ilusão, ela sente novamente aqueles lábios e eles lhe dizem ao ouvido que nem tudo está perdido. “Tá tudo bem, eu estou aqui com você...”, ele continua dizendo em seus pensamentos e ela acorda, veste sua armadura e vai vivendo.

“It's you and me
And it's always been
And how I feel about you
Theres no end.

But you made me
Chase you around
And then you need me again
When you fall down.

And when this dance is done,
You and me are still
The only ones.

Yeah since time begun
And i'm still with you
Even when you're gone.”

You and Me – S.O.J.A.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

delírios sobre o amor

Acho engraçado como nos filmes tudo parece tão mais fácil. Talvez por isso eu goste tanto de cinema. A gente sofre junto com o drama dos outros, mas quando a luz acende, volta tudo ao normal. Na vida podia ser assim, acabou a história, acabou o sofrimento, só não teria tanta graça.
Bom mesmo é quando as duas partes deixam de se amar, caso raro de ocorrer. Normalmente, um deixa de gostar e o outro morre amando. Porém, ainda há uma pequena parcela em que as duas partes continuam se amando, mas desistiram de tentar fazer dar certo. Nas duas últimas, alguém sempre sofre. Quando se fala de amor, quase sempre o sofrimento acompanha. Uma história tão triste, mas tão bonita...
O amor não é um feitiço, é destino, obstinação. A gente não vê o amor acontecer, por isso não sabe como acontece. Um dia, os olhos se abrem e “Nossa! Como eu amo essa pessoa!”, simples assim, um passe de mágica. Daí, a gente entende a verdadeira razão da frase: “quem ama o errado, certo lhe parece”. A gente ama aquela pessoa do jeito que ela é, mesmo que tenha um milhão de coisas que ela poderia mudar.
Vai ver ele nem quer tanto assim um sorvete, mas ela precisa dele. Vai ver ela nem quer ficar em casa hoje, mas ele precisa dela. Um precisa daquele outro que conhece seus poros, suas dores, seus medos, suas virtudes. Cada um precisa do cada qual que te faça acordar todo dia. Precisamos dos olhos doces, das mãos firmes e suaves, dos sorrisos cheios de luz, dos abraços que afastam os medos.
Como romântica assumida, penso que quem não morre de seu amor, dele não merece viver. Sem obstáculos o amor acaba, não há mais o que contar. Os amantes se amam, mas não conseguem superar os obstáculos e serem felizes. Eu acho que a saída é não desistir de procurar a saída; mesmo que ela não exista.

“I know it‘ll be
Different this time
If you‘d just stay
And when we wrote this story
How did it end?
It was you and me for all our lives
Come on, don‘t say it
We‘ll try again
And if I‘d just hold you
We could last”
The Offspring – Denial, revisited